Aulas da rede municipal de SP voltam sem materiais para os estudantes

O ano letivo para os 700 mil estudantes da rede municipal de ensino em São Paulo começou na segunda-feira, dia 6, mas aqueles que precisaramm dos materiais básicos para anotar as aulas – como caderno, lápis, borracha, caneta e apontador – descobriram que os itens serão entregues pela prefeitura somente a partir da próxima semana.

O que também vai atrasar, mas por muito mais tempo, é a entrega dos uniformes escolares. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a distribuição deve começar em março e ser concluída em agosto. Em 2011, em algumas escolas da periferia, os uniformes só chegaram no segundo semestre.

Aulas na capital paulista retornaram dia 6

Questionado pela imprensa sobre os atrasos, o prefeito Gilberto Kassab (PSD) relativizou o problema ao afirmar que a entrega de material escolar na primeira semana não é uma prática correta “porque as crianças ainda estão se ambientando, conhecendo seu professor, a própria escola se organiza”, e complementou que “jamais será nos primeiros dias. Não é correto nem do ponto de vista organizacional”.

O prefeito de São Paulo afirmou ainda que a prefeitura irá se esforçar para entregar os materiais “o mais rápido possível” e comemorou o fato de que nesse ano a perspectiva de atraso é de 15 dias e não de 30 a 60, como em anos anteriores.

Oferecer material escolar e uniforme gratuito para estudantes do ensino infantil até os matriculados no ciclo 1 do sistema de Educação de Jovens e Adultos (EJA) é dever da prefeitura e não um favor.

Este ano, o investimento da prefeitura de São Paulo para a compra de uniformes e materiais escolares é de R$ 130 milhões. O custo dos kits de material é de R$ 43 milhões e o valor total da licitação de 630 mil uniformes é de R$ 87 milhões.

Secretaria justifica atraso

Em nota à imprensa, a Secretaria Municipal de Educação justificou que o atraso na distribuição dos kits é resultado, principalmente, da demora na licitação de compra dos produtos em virtude de o Tribunal de Contas do Município (TCU) ter retido a ação por 43 dias, a partir de meados de setembro do ano passado.

Passado o período, uma das empresas que perderam a licitação recorreu a Justiça e atrasou a homologação das compras em mais 19 dias.

CET age para tentar diminuir impactos no trânsito

A volta às aulas na rede municipal de ensino também foi sentida no trânsito, mais congestionado, e nos transportes coletivos, com ônibus e lotações cheias, na segunda-feira, em especial pelo período da manhã.

Para tentar atenuar as complicações no trânsito, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) iniciou em 30 de janeiro uma operação nos arredores de 127 escolas, com presença constante ou rotativa dos “marronzinhos”, para disciplinar o embarque e desembarque dos estudantes.

A recomendação aos motoristas é que respeitem a faixa de pedestres, evitem fila dupla, façam o embarque e desembarque pelo lado da calçada e estacionem apenas em locais permitidos.