Cuidados com a comunicação são fundamentais na abordagem missionária

Em artigo, padre Cilto José Rosembach – presidente da Associação Cantareira, mestre em comunicação e semiótica, e assessor das Pastorais Sociais da Igreja Católica na Região Episcopal Brasilândia – apresenta dicas sobre como estratégias ideais de comunicação podem facilitar as atividades de missão popular.

Comunicação missionária: abordagem, formas de abordagem e comunicação

A missão faz parte da natureza da Igreja. Anunciar a Palavra de Deus e testemunhá-la, no mundo, é compromisso essencial para cada cristão. No entanto, é preciso fazê-lo de acordo com os princípios do Evangelho, com respeito e amor total a todos os humanos. (CPDI), (COE), (AEM).

Dentre vários desafios que a missão popular apresenta, um é saber chegar à casa das pessoas. Saber como e o que falar com as pessoas de forma agradável. Porque nem sempre deve se iniciar o diálogo sobre o objetivo específico.

Primeiro é preciso estabelecer um diálogo que possibilite a confiança das pessoas abordadas e que desejam de fato conversar com a gente. A isso chamamos de abordagem inicial. Claro que há muitas formas de abordar pessoas em diversas circunstâncias.

Quando se trata da abordagem nas casas, as famílias não gostam porque existem muitas pessoas que perturbam, com ofertas de vendas, pregações, entrega de material de determinada igreja ou mercado etc. Estas atitudes causam aborrecimento às pessoas na casa, daí o desafio de ganhar a confiança das famílias com uma abordagem adequada, cordial e simpática, sem querer vender nada ou impor doutrina. 

Jovens da Arquidiocese de São Paulo em missão na periferia da Brasilândia

Daí a necessidade de identificarem-se como pessoas da igreja tal que estão em missão popular. Dialogar de forma breve, deixar um convite por escrito para alguma atividade, seja celebrativo ou de caráter social.

Esse foi o primeiro passo dado, parabéns. Em um segundo momento da visita, sugere-se que sejam realizadas pelas mesmas pessoas as mesmas casas porque já há uma identificação, as pessoas já são conhecidas. Se lembrar o nome das pessoas da primeira visita quem sabe abordar as pessoas chamando-as pelo nome, Maria, seu João etc.

Se for convidado para entrar, que assim seja: entre, mas seja breve. Se pedirem uma bênção ou oração, que seja feita de forma clara e objetiva, não se trata de pregação. Deixe um material por escrito que informe as atividades da comunidade, da missão popular naquele bairro, rua, ou região.

Oba! Parabéns. Você já está no terceiro momento da visita, agora tudo será mais fácil. Leve em consideração as orientações anteriores e inicie um diálogo sobre a origem da família, sobre a história do bairro ou vila, as principais necessidades em relação à saúde, educação, saneamento básico, violência, sacramentos…

Em uma quarta visita nesse processo continuo de missão popular, agora sim realize um levantamento sócio-cultural-religioso, preencha uma ficha com os dados da família, para saber com precisão quais as principais demandas sociais e pastorais.

Essas demandas serão compiladas e apresentadas à comunidade da missão e a partir desse conhecimento do levantamento realizado com as famílias, encaminhe para os órgãos responsáveis, e o que for de competência da igreja encaminhe para a paróquia ou comunidade mais próxima, ou então inicie uma comunidade no local da missão. Assim haverá a possibilidade de se realizar um trabalho organizado a partir da necessidade local com o envolvimento das pessoas do bairro.

Durante a quinta visita, agora sim do ponto de vista da pastoral, organize os momentos de celebração, Catequese, estudos bíblicos, grupos de rua ou de reza nas casas, celebração de sacramentos etc.

Pronto: foram dados cinco passos significativos nesse processo da missão popular. Durante os contatos estabelecidos foi possível perceber quem é quem e quem poderá se tornar uma liderança na missão e ajudar na articulação dos trabalhos, sejam de ordem pastoral ou social.

A missão popular se baseia na bíblia, Palavra de Deus. Vamos aos poucos descobrir a presença de Deus, de Jesus Cristo, de Nossa Senhora, as devoções populares que existem na vida do povo. A presença do Emanuel o Deus-conosco. Assim, teremos lançado as bases para formar comunidade.

Aos poucos, as pessoas entendem o que desejamos, então teremos a certeza que de fato comunicamos adequadamente, sem impor e sim propor e motivar a participação. Pode-se afirmar que houve comunicação, porque houve entendimento.

Certamente os fatos irão acontecendo não de forma organizada, mas percebendo os elementos principais que se manifestam nesse processo de abordagem, de comunicação durante as visitas missionárias.

Evangelizar é comunicar. Não dá para não comunicar! Quem participa na missão popular se enriquece e sai ganhado muito mais do que partilhou. Participe!