Governo federal libera R$ 1,72 bilhão para obras do trecho norte do Rodoanel

A luta da população da periferia de São Paulo, Guarulhos e Arujá contra a construção do trecho norte do Rodoanel sofreu um duro golpe na terça-feira, dia 13: em cerimônia no Palácio do Planalto, marcada por troca de elogios entre a presidente Dilma e o governador Alckmin, o governo federal liberou R$ 1,72 bilhão para as obras do trecho norte do Rodoanel.

A via de quase 44 quilômetros deve ser concluída em novembro de 2014. De acordo com o governo do Estado, a desapropriação de cerca de 2 mil famílias vai começar em janeiro de 2012 e as obras dois meses depois, em março. O edital da construção, que terá concorrência internacional, foi publicado nesta quarta-feira, dia 14, e a meta do Estado de São Paulo é construir pelo menor preço.

Desde que foi anunciado, o custo da construção do trecho norte do Rodoanel saltou de R$ 6,1 bilhões para R$ 6,51 bilhões (valor divulgado ontem pelo governo de São Paulo). Desse montante, a União entra com R$ 1,72 bilhões e o Estado de São Paulo com R$ 4,79 bilhões, sendo que deste último valor cerca de 2 bilhões devem ser financiados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

BID: a última esperança

Muitos dos engajados na luta contra a construção do trecho norte do Rodoanel acreditavam que com a mobilização das comunidades, apoiada por alguns deputados federais do PT, seria possível rever o projeto de construção da via, mas o acordo de ontem acabou com essas perspectivas.

A “última cartada” contra a obra está em apelar ao BID. Os articuladores do movimento popular contra o Rodoanel, que inclui lideranças da Igreja Católica na Região Brasilândia, vão tentar mostrar ao BID que a obra trará graves impactos ambientais. O banco tem por costume não liberar recursos nessas circunstâncias, conforme informou dom Milton Kenan Junior, no último sábado, dia 10, em Perus.

Outra frente de luta é a revisão do traçado, que do jeito que está provocará sérios danos à dinâmica de bairros na zona noroeste de São Paulo, como o Jardim Peri, Jardim Paraná e Parque de Taipas. A estimativa do movimento popular de resistência é que 20 mil famílias sejam afetas direta e indiretamente pelos quase 44 quilômetros do trecho norte do Rodoanel.

Vale a pena insistir por um novo traçado, pois no começo deste mês, após intensa mobilização, os moradores da Vila União, em Guarulhos, conseguiram que a Dersa mudasse parte do projeto, evitando assim a destruição de 340 imóveis.

Promessas do governo do Estado de São Paulo

Serão investidos R$ 155 milhões para a remoção de 2 mil famílias, por meio do Programa Estadual de Reassentamento. As famílias poderão optar por uma unidade habitacional da CDHU ou serão indenizadas, a partir da alvenaria da casa que estava construída (Exemplo: barraco de madeira vale menos que o de concreto).

De acordo com o governo, no trecho norte do Rodoanel o tráfego diário será de 65 mil veículos, desses 30 mil de caminhões, 17 mil dos quais que circulariam na Marginal Tietê, o que pode provocar redução de 20% no tráfego da via, e queda de 10% a 15% da emissão de poluente na marginal.

Elogios de Dilma a Alckmin e vice-versa

“Unindo esforços, reportando-se às necessidades do Brasil, à importância da sua população e ao interesse maior daqueles que nos elegeram, nós conseguimos fazer tudo isso. Eu fico muito feliz de poder está aqui participando” – Dilma Rousseff, presidente da República.

“Quando falo em seriedade, não falo em honestidade. Vou mais longe do que isso, falo em integridade. Falo na capacidade que cada um tem de se conduzir da forma adequada em cada circunstância, em cada momento, fazendo com que a política seja colocada no plano superior a cada político” – Geraldo Alckmin, governador do Estado de São Paulo.

De acordo com o governo de São Paulo, os 43,86 quilômetros do Rodoanel não passarão na área de preservação ambiental do Parque da Cantareira e entrarão ‘por debaixo’ da área de reserva ambiental, através de túneis.