Protestos, solenidades e shows marcam São Paulo nos 458 anos

Há tempos, o aniversário de São Paulo não era tão movimentado e plural como foi o de 458 anos, comemorado ontem, em diversos pontos da cidade com protestos, shows e solenidades.

Oficialmente, as comemorações começaram às 8h da manhã com a deposição de flores no monumento “Glória Imortal dos Fundadores de São Paulo”, por autoridades civis e militares, que posteriormente seguiram para a Catedral da Sé, onde às 9h, o cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo, presidiu a missa do aniversário da cidade.

O prefeito Gilberto Kassab compareceu à celebração e fez um breve discurso no começo, no qual agradeceu as parcerias que tem realizado com a Igreja Católica na cidade e avaliou que a prefeitura tem melhorado a qualidade de vida dos paulistanos nos últimos anos.

Opinião diferente a do prefeito tinham os manifestantes de ONGs, entidades, partidos políticos e da Pastoral Operária da Igreja Católica, que em frente à catedral, protestaram contras as políticas públicas da prefeitura paulistana, especialmente pela forma de ação na retirada de viciados da Cracolândia, e também reclamaram do governo do Estado, pelos métodos adotados para a Desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos.

Tentando evitar confusão, Kassab deixou a missa antes do fim, pela porta lateral da igreja, mas não escapou das vaias e xingamentos dos manifestantes, que jogaram ovos e cercaram os carros oficiais. O clima ficou tenso quando a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) tentaram coibir as manifestações: houve registro de pessoas feridas no enfrentamento entre as partes.

Manifestantes cercam carro do prefeito, que assitiu missa na Catedral e entregou medalha 25 de janeiro. Aniversário da cidade teve shows

As manifestações seguiram pelas ruas do centro de São Paulo até a porta da prefeitura da cidade, onde simbolicamente foi concedido a Kassab o “Prêmio de Pior prefeito da história de São Paulo”. Ao mesmo tempo, dentro da prefeitura, mesmo sendo possível ouvir os gritos de protestos, o prefeito, em cerimônia repleta de autoridades civis, políticas e militares, concedeu a medalha 25 de janeiro ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e à presidente Dilma Rousseff (PT) e fez a entrega da mesma condecoração ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que havia ganho no ano passado.

Na cerimônia, em momento algum, o prefeito e os homenageados referiram-se às manifestações populares. A cordialidade imperou: Alckmin, FHC, o vice-presidente Michel Temer (que discursou parabenizando os homenageados) e a presidente Dilma não economizaram elogios ao prefeito, “figura capaz de agregar, capaz de criar vínculos fraternos, republicanos, entre as pessoas de diferentes tendências”, disse Dilma, em referência a Kassab.

Shows animaram a cidade

Durante todo o dia do aniversário da cidade, foi realizada, no Vale do Anhangabaú, a 5ª edição do Vale da Participação e Parceria, com shows de artista de MPB e de samba, e amostra de projetos em andamento das secretarias municipais. Um dos momentos marcantes aconteceu por volta das 13h, quando o maestro João Carlos Martins, tocou junto com a bateria da Vai-Vai, emocionando o público.

No fim da tarde, o Parque da Juventude, na zona norte da capital, ficou lotado para a apresentação dos Paralamas do Sucesso, que interpretaram as próprias composições a algumas dos Titãs. Apesar de a maioria ser de jovens, adultos e crianças também prestigiaram o show. Não houve tumultos, mas o registro negativo foi o uso deliberado de bebidas alcoólicas e de maconha.

E pra quem teve pique de encarar um show também à noite, a opção foi ver Ney Matogrosso na Praça da República, às 20h. O artista apresentou sucessos de seu último trabalho “Beijo Bandido”. Houve boa presença de público, mas a falta de telões no palco prejudicou a visibilidade do espetáculo para quem estava mais distante do palco.