A Associação Cantareira foi fundada legalmente em fevereiro de 1996, mas antes disso, em setembro de 1995, lideranças das comunidades, grupos culturais, associações, movimentos populares e organizações que lutavam pela melhoria da qualidade de vida na periferia se articularam para a criação da Rádio Cantareira FM.
Instalada na periferia da região noroeste da cidade de São Paulo, onde jornais, rádios e tevês da mídia comercial não divulgavam as ações feitas pelo povo, a rádio tornou-se referencial das comunidades e movimentos como fonte sobre as informações locais e estimuladora do engajamento social por melhorias na qualidade de vida local.
No decorrer dos anos, a Associação Cantareira expandiu projetos e a abrangência de atuação também para as áreas de educação, arte, cultura e ecologia, além de intensificar iniciativas em comunicação, com a publicação do Jornal Cantareira, a partir de dezembro de 1996. Já são mais de 120 edições produzidas.
Em 1997 começaram os projetos de Educação popular para alfabetizar jovens e adultos, atendendo a demanda de formação das comunidades locais. A iniciativa também propicia até hoje a formação de educadores e demais lideranças interessadas.
No ano seguinte, em 1998, acontecia o primeiro Curso de capacitação de jovens em parceria com a Associação Apoio ao Programa de Capacitação Solidária. Realizado por mais de três anos, atendeu 180 jovens com idades entre 14 e 19 anos.
Na primeira metade dos anos 2000, a Associação Cantareira realizou projetos diversos em parcerias com instituições como a Cáritas Brasilândia, Instituto Sou da Paz, Rede Rua de Comunicação, Oboré, Faculdade de Saúde Pública, Departamento de Jornalismo da PUC, Instituto Vereda, Ação Educativa, Associação das Escolas Católicas, Instituto Meryknoll e Secretaria Municipal de Educação.
Em 2006, foi firmada a primeira parceria com a Secretaria de Estado da Cultura, no Programa Fábricas de Cultura; e também encaminhado o processo para regularização da Rádio comunitária Cantareira FM.
Em dezembro de 2009, houve a liberação de funcionamento da rádio comunitária e a instalação, na associação, do primeiro Ponto de Cultura Brasilândia. De abril a janeiro de 2010, na cidade de Embu das Artes (SP), a associação realizou o Curso de Comunicação Comunitária, para 26 jovens, que foram capacitados em produção de blogs, programas de rádio, jornal impresso e ensaio fotográfico. Em 18 de julho de 2010, a Rádio Comunitária Cantareira FM 87,5 entrava no ar e na web (www.radiocantareira.org) devidamente regulamentada.
Neste ano de 2011 tiveram início dois projetos: Educação e Comunicação Ambiental, com oficinas de capacitação voltadas para jovens e mulheres, e o Curso de Direitos Humanos, com abordagem nos direitos sociais de educação, meio ambiente, saúde, relação de gênero e comunicação.
SAIBA MAIS SOBRE OS PROJETOS
- Participação e articulação permanente nas lutas sociais pela democratização da comunicação, e em fóruns de educação e cultura.
- Ponto de Cultura Brasilândia
Projeto, feito em parceria com o Ministério da Cultura, no qual há formação permanente de lideranças e jovens para o uso e apropriação de linguagens das mídias sociais e produção de programas radiofônicos para a rádio comunitária Cantareira FM e rádio web, bem como mapear, articular e proporcionar espaços nas demais mídias da Associação Cantareira e outras para a divulgação de iniciativas culturais da região. Por ano, cerca de 300 pessoas são envolvidas diretamente no projeto. A iniciativa inclui ainda o envolvimento na construção do Ponto de Memória da Brasilândia.
- Curso de Direitos Humanos
Iniciado em 2011, o curso trata sobre Direitos Humanos com ênfase nos direitos sociais: educação, meio ambiente, saúde, relação de gênero e comunicação. Até o final do ano, atenderá diretamente 300 pessoas. O curso tem o propósito inicial de analisar as implicações dos Direitos Humanos ao longo do tempo e de tratar da conceituação, ao mesmo tempo simples e abrangente, do tema: os direitos que visam resguardar a solidariedade, a igualdade, a fraternidade, a liberdade e a dignidade da pessoa humana.
- Educação e Comunicação Ambiental
Feito em parceria com a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, o projeto tem como foco a reeducação no preparo alimentar, visando diminuir o desperdício e a produção de lixo orgânico. Consiste em duas oficinas de capacitação: uma para uma turma de 100 mulheres, para que se tornem multiplicadoras de práticas de reaproveitamento alimentar; e outra para 25 jovens, com técnicas de produção e difusão de informações ambientais.
- Jornal Cantareira
Publicado pela primeira vez em dezembro de 1996, o Jornal Cantareira já tem mais de 120 edições e é referência em comunicação comunitária alternativa, tratando das mobilizações dos movimentos sociais e das demandas da população na região noroeste da cidade de São Paulo. Com uma tiragem de 10 mil exemplares, é distribuído em 444 pontos e alcança cerca de 20 a 30 mil leitores.
- Educação popular para alfabetizar jovens e adultos
Iniciado em 1997, o projeto alfabetiza jovens e adultos. Atualmente são atendidos 280 educandos em 14 salas, instaladas em comunidades dos bairros do Jardim Damasceno, Vila Terezinha, Jardim Guarani, Jardim Paulistano e Carumbé. Em 14 anos, alguns participantes prosseguiram com estudos, concluíram o ensino médio e até obtiveram graduação em nível superior. A proposta vai além do ensino de ler e escrever, pois estimula a leitura crítica do mundo e a participação na sociedade. Outra proposta deste projeto são as oficinas de formação, abertas a educadores e outras pessoas interessadas.
- Rádio comunitária Cantareira FM
O projeto de criação da Rádio comunitária Cantareira FM data do início de 1995, no Jardim Vista Alegre. Após consultarem lideranças das comunidades, foi organizada uma comissão com representantes de todos os segmentos envolvidos, coordenada por Cilto José Rosembach, José Eduardo de Souza, Juçara Zottis e Claudio Trudelli, (este já falecido) para a montagem da rádio.
Uma das primeiras ações foi pesquisar projetos de rádios comunitárias na zona leste. Era preciso entender a filosofia da rádio comunitária, grade de programação, recursos e equipamentos. O passo seguinte foi relacionar as ações necessárias para a rádio em consonância à realidade sócio-cultural da região noroeste, por suas peculiaridades, ou seja, uma das mais pobres de São Paulo e com elevado índice de violência. Diante de tal quadro, era necessário um trabalho intenso para promover a dignidade e a cidadania daquele povo. Com esse propósito, surgia em 8 de setembro de 1995, às 18h24, a Rádio Cantareira FM, sob o bordão: “Não basta estar no ar, é preciso ser comunitária”.
Tão logo foi criada, a rádio já suscitava a especialização de profissionais. E por se tratar de um veículo da comunidade, era ela que deveria conduzir. Para isso, foi criado o primeiro curso de comunicação para radialistas do Jardim Vista Alegre, oferecido entre outubro e dezembro de 1995, com 60 horas de duração. Orientado por Cilto José Rosembach, a primeira turma era composta por 65 alunos, que aprendiam a produzir e apresentar os programas da emissora. Depois, passou a ser oferecido uma vez por ano, tornando-se critério básico para quem quisesse fazer parte da equipe de rádio. Esses cursos de comunicação são realizados ainda hoje, e com o tempo foram acrescidas formações afins como palestras, laboratório, produção de programas de rádio, release e articulações de imprensa.
Em 18 de julho de 2010 foi reinaugurada a Rádio comunitária Cantareira FM 87,5, devidamente regulamentada, e também presente na web (www.radiocantareira.org). Estima-se, que por mês, cerca de 20 mil pessoas ouçam a rádio. A consolidação da frequência e a montagem de instalações adequadas para a rádio intensificaram outras possibilidades de uso dos estúdios de gravação, como a produção de vinhetas, spots, gravações de peças de teatro e trabalhos musicas.
Projetos já concluídos
- Fábricas de Cultura
Realizado de 2006 a 2009, em parceria com a Secretaria Estadual da Cultura, atendeu cerca de 120 jovens, capacitando-os com técnicas teatrais, dança, música e expressão cultural. Os participantes encenaram duas peças ao final do projeto: “Pedrinho Brasilândia” e “Villa-Lobos”.
- Curso de Comunicação Comunitária
De janeiro a abril de 2010, educadores e comunicadores da Associação Cantareira estiveram na cidade de Embu das Artes, na Grande São Paulo, e ministraram o curso para 26 jovens, participantes do programa Projovem Trabalhador, programa de qualificação profissional mantido pela prefeitura daquela cidade e pelo Ministério do Trabalho. Os jovens tiveram aulas sobre linguagem para mídias digitais, leitura crítica da comunicação, comunicação visual, fotografia, escrita jornalística, redação criativa, rádio comunitária, web-rádio, além de reflexões sobre temas relacionados à cobertura da grande mídia, responsabilidade social, jornalismo comunitário e democratização da comunicação. Ao final elaboraram como produtos finais do projeto: um blog, ensaios fotográficos, um jornal impresso e um programa de rádio.
- Curso de capacitação de jovens
O primeiro curso foi realizado em 1998, em parceria com a Associação Apoio ao Programa de Capacitação Solidária. Ao longo de quatro anos, atendeu 180 jovens com idades entre 14 e 19 anos. Os cursos tiveram as seguintes temáticas: Monitoria Ambiental (1998), Agente Comunitário de Saúde (1999), Audiovisual (2000), Agentes Socioambientais (2002). Em 2001, a Associação Cantareira promoveu, em parceria com a Rede Rua de Comunicação, o curso Comunicação, Ecologia e Paz, pelo qual capacitou 25 jovens em produção de vídeo, que resultou no documentário “O melhor do Lixo”. Além disso, entre 2001 e 2002, a Associação Cantareira atuou em parceria com o Instituto Sou da Paz na execução do curso Empreendedores Sociais, do Centro Nacional de Formação Comunitária, que beneficiou 60 jovens, com idades entre 18 a 26 anos. Entre 2005 e 2006, associação também foi parceira de CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária) na execução do projeto Jovens Urbanos, que atendeu 30 jovens.




