Amizade Aberta: religiões podem dialogar com candidatos nas eleições

Na quinta-feira, 19 de janeiro, o programa Amizade Aberta da comunitária Cantareira FM 87,5 (www.radiocantareira.org) colocou em discussão a influência da política nas religiões e como deve ser a relação das lideranças e comunidades religiosas com os candidatos em ano eleitoral. O programa será reprisado neste sábado, dia 21, às 21h.

Mediado por Anderson Braz e Fábio Santana, apresentadores, o debate contou com a participação de ouvintes pelo telefone e mídias sociais e também com quatro debatedores no estúdio: padre Luiz Stefani (Luizinho), missionário monfortino; Vitinho Galvani, seminarista na cidade de Contagem (MG); e os repórteres do jornal católico O São Paulo, Karla Maria e Daniel Gomes, sendo que este último também é apresentador da Cantareira FM.

Participantes do debate no Amizade Aberta

Para Karla Maria é legítimo que os candidatos recorram às igrejas, pois os políticos devem ter o mesmo propósito de todas as religiões: defender a vida e a dignidade humana, “mas não é legítimo que as lideranças das igrejas usem os fiéis como massa de manobra”, ponderou a jornalista, que defendeu ainda que as comunidades acolham as propostas dos candidatos para que possam cobrá-los posteriormente.

Daniel Gomes disse acreditar que oficialmente a Igreja Católica de São Paulo não irá apoiar nenhum candidato a prefeito ou vereador. O jornalista acredita que o debate político nas igrejas é saudável, mas não durante cultos e missas, e destacou que nestas eleições é preciso que as discussões não fiquem centradas apenas à disputa para prefeito, mas especialmente às propostas dos que querem ser vereador.

O seminarista Vitinho Galvani classificou como bonita e importante a participação dos leigos da Igreja Católica nas discussões políticas, que influenciam a vida de todos. Opinião similar teve o padre Luizinho, para quem a política “é uma das coisas mais bonitas e importantes para a construção da cidade. Ninguém pode eximir-se da tarefa de ter bons políticos para gerir os espaços”.

Padre Luizinho defendeu ainda que as religiões abram espaço para o diálogo com os candidatos durante o período eleitoral. “Todo líder nesse tempo não deve falar por si, mas como representante de uma comunidade”, enfatizou, considerando antiéticos os comportamentos personalistas que, por vezes, acontecem nesta época.

Debate também esquenta pelo telefone

Durante o programa, três intervenções de ouvintes por telefone, enriqueceram e pluralizaram as discussões sobre a relação da política com as religiões em ano eleitoral.

Fernanda Vasconcelos, evangélica, mostrou-se contrária que as igrejas abram espaço para os políticos. “Não concordo muito de que as pessoas que vão se candidatar vão à igreja para pedir voto. Eu não concordo em receber pessoas para pedir voto em nome de Deus”, enfatizou.

Maria Alice (Índia), do Jardim Icaraí, que participa de cultos de religiões afro-brasileiras, afirmou que em ano eleitoral, muitos candidatos batem à porta dos espaços de culto, “mas em vez de usar o nome de Deus, pedem voto em nome dos orixás”, brincou, para posteriormente lamentar que perto das eleições sempre aumenta a frequência dos políticos que vão aos encontros, mas quase nunca esses voltam após as serem eleitos para resolver as demandas das comunidades.

Gilberto Cruz, católico, diretor de operações da rádio comunitária Cantareira FM, apontou que política e religião estão intimamente ligadas, como mostram a maioria dos textos bíblicos. Porém, segundo ele, “alguns políticos tentam se aproveitar dos espaços religiosos para ter benefício próprio”, algo que pode ser evitado se as lideranças das religiões tiverem discernimento político. “Uma coisa é o cara tentar espaço, outra é a comunidade estar preparada e cobrar do político para que esteja de fato presente no dia a dia”.